Depressão

Depressão: as fases do quadro e o que muda em cada uma

Depressão não é tristeza intensa. É uma alteração persistente do funcionamento psíquico e biológico que reduz a capacidade de sentir prazer, de agir e de projetar futuro. E ela tem fases — que exigem estratégias diferentes.
01 de agosto de 20269 min de leituraDepressão

Como reconhecer um episódio depressivo

O diagnóstico exige humor deprimido ou perda de interesse na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, somado a outros sintomas e a prejuízo funcional.

  • Perda de interesse ou prazer em atividades antes valorizadas
  • Alterações de sono — insônia ou hipersonia
  • Alterações de apetite e peso
  • Fadiga e lentificação
  • Culpa excessiva e sensação de inutilidade
  • Dificuldade de concentração e de decidir
  • Pensamentos de morte ou suicídio

Fase leve

Os sintomas estão presentes, mas a pessoa mantém suas atividades com esforço aumentado. É a fase de melhor prognóstico e a mais frequentemente ignorada, porque 'ainda dá para funcionar'.

Psicoterapia isolada, ativação comportamental e reorganização de rotina costumam ser suficientes nesta etapa.

Fase moderada

O prejuízo se torna evidente: queda de desempenho, afastamento social, dificuldade de manter compromissos. Aqui, a combinação de psicoterapia com avaliação para medicação costuma ser a conduta indicada.

Fase grave

Há incapacidade funcional importante, podendo haver sintomas psicóticos e risco de suicídio. Requer intervenção imediata, acompanhamento próximo, suporte familiar ativo e, em alguns casos, medidas de proteção.

Se há ideação suicida com plano, é situação de urgência. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas.

Distimia: a depressão que se disfarça de personalidade

O transtorno depressivo persistente cursa com sintomas menos intensos, porém contínuos, por dois anos ou mais. Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que 'sempre foram assim' — e descobrem que não.

O que esperar do tratamento

Resposta inicial costuma aparecer entre a segunda e a sexta semana. Remissão completa exige mais tempo, e a manutenção do tratamento após a melhora é o que previne recaída — abandonar ao primeiro sinal de bem-estar é a causa mais comum de recorrência.

Sono regular, exercício físico, exposição à luz natural e reativação de vínculos não substituem o tratamento, mas ampliam sua eficácia de forma consistente.

Perguntas frequentes

Depressão tem cura?

Episódios depressivos remitem com tratamento adequado, e muitas pessoas nunca apresentam recorrência. Em quadros recorrentes, o objetivo passa a ser prevenção sustentada de novos episódios.

Preciso tomar antidepressivo?

Depende da gravidade. Quadros leves respondem a psicoterapia isolada. Em quadros moderados e graves, a combinação de medicação com psicoterapia apresenta os melhores resultados.

Quanto tempo dura o tratamento da depressão?

Após a remissão dos sintomas, recomenda-se manter o tratamento por vários meses para consolidar os ganhos e reduzir o risco de recaída. A retirada é sempre gradual e acompanhada.

Aviso importante

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação individual. Diagnóstico e conduta terapêutica exigem consulta com profissional habilitado. Em situação de risco imediato, procure atendimento de urgência ou ligue para o CVV no 188.

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